Golpe da falsa cobrança de tributos na Baixada Santista: como funciona e como se proteger
- Beatriz Biancato
- há 4 horas
- 3 min de leitura

Uma notícia recente divulgada pelo jornal A Tribuna trouxe um alerta importante para os moradores da Baixada Santista: criminosos estão se passando por funcionários públicos para realizar cobranças falsas de tributos municipais. A abordagem normalmente acontece de forma presencial, com uso de panfletos que imitam documentos oficiais e até maquininhas de cartão para receber o pagamento na hora.
Esse tipo de golpe se aproveita de um sentimento muito comum entre os contribuintes: o medo de estar em dívida com o Fisco. Ao ouvir que há um débito de IPTU ou de outra taxa municipal em aberto — e que o não pagamento pode gerar multa, inscrição em dívida ativa ou até risco para o imóvel — muitas pessoas acabam pagando por impulso, para “resolver logo a situação”. É exatamente essa urgência que os golpistas exploram.
Como funciona, na prática, a cobrança de tributos municipais?
Aqui está a informação mais importante: prefeituras não fazem cobrança de tributos de porta em porta e não recebem pagamento por meio de maquininha na residência do contribuinte.
O procedimento correto segue etapas formais:
o tributo é lançado pelo município;
o contribuinte é notificado por meio de carnê, correspondência oficial ou publicação;
o pagamento é realizado por guia própria (normalmente boleto ou arrecadação bancária);
a consulta de débitos pode ser feita pelos canais oficiais da prefeitura (site ou atendimento presencial).
Ou seja, qualquer cobrança fora desse padrão deve ser vista com desconfiança imediata.
Um exemplo para entender melhor
Imagine a seguinte situação: um morador recebe a visita de uma pessoa uniformizada, com um documento aparentemente oficial, informando a existência de um débito de IPTU. O suposto agente público afirma que, se o pagamento não for feito naquele momento, haverá multa e o nome do contribuinte será inscrito em dívida ativa. Em alguns casos, chega a dizer que o imóvel vai ser leiloado.
Assustado e sem saber como funciona o procedimento correto, o contribuinte realiza o pagamento no cartão.
Dias depois, descobre que:
o débito não existia ou
o débito era real, mas o valor pago não foi para os cofres públicos.
O prejuízo, nesses casos, é duplo.
Por que esse golpe tem se tornado tão comum?
Esse tipo de fraude cresce justamente onde há dois fatores:
digitalização e modernização das cobranças tributárias (que fazem surgir novos formatos de guias e comunicações);
falta de informação clara para a população sobre como funciona o processo de cobrança.
É aqui que entra a importância da educação fiscal: conhecimento também é uma forma de proteção patrimonial.
Como se proteger
Se alguém aparecer na sua casa cobrando tributos:
✔ não realize qualquer pagamento
✔ não forneça documentos pessoais
✔ peça a identificação e encerre o atendimento
✔ consulte a situação do imóvel diretamente no site ou nos canais oficiais da prefeitura
✔ em caso de dúvida, procure um profissional especializado
Essa verificação leva poucos minutos e pode evitar um grande prejuízo.
O que esse alerta nos ensina
Mais do que um caso isolado, essa situação mostra como o Direito Tributário está presente no nosso dia a dia de forma muito concreta. Entender minimamente como nasce e como é cobrada uma dívida tributária não serve apenas para discutir processos judiciais ou reduzir carga tributária — serve também para proteger o contribuinte contra fraudes.
Informação, nesse cenário, deixa de ser algo técnico e passa a ser uma ferramenta de segurança.
Espero ter contribuído com a informação.
Abraço e um café,
Beatriz Biancato
Advogada Tributarista e Idealizadora do Tributário Sem Mistério ®



