top of page

Quando a conta é bloqueada: nem toda penhora é legal (e quase ninguém sabe disso)

  • Foto do escritor: Beatriz Biancato
    Beatriz Biancato
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Essa semana tive um daqueles dias de advogada que ninguém vê nas redes sociais...


Homem em silhueta, sentado à janela brilhante, com a mão na cabeça, em clima pensativo e melancólico.

Sabe aquele mês em que parece que tudo o que estava parado resolve andar ao mesmo tempo?


Foi assim com um cliente meu. Ele tinha alguns processos de execução fiscal parados há um tempo — daqueles que a gente sabe que existem, mas que ficam ali, dormindo. Só que esse mês, não sei se foi lua cheia ou o quê, todos resolveram andar juntos. E "andar", nesse caso, significava uma palavra que ninguém quer ouvir: bloqueio.


E não era uma conta qualquer. Era a conta usada para pagar os funcionários dele.


Dá pra imaginar o desespero, né?


O momento em que dois tipos de advogado aparecem


Quando o cliente liga nesse desespero, existem dois caminhos possíveis do outro lado da linha.


Tem o profissional que promete mundos e fundos — "fica tranquilo, vou resolver isso", sem nem ter lido o processo direito. E tem aquele que é transparente e diz as reais possibilidades do caso, mesmo que não seja o que o cliente gostaria de ouvir.


Eu escolhi o segundo caminho. Prefiro ser "dura" a alimentar falsas esperanças.


Então não, eu não ia entrar com uma petição de qualquer jeito só para ele sentir que "estava em discussão judicial". Bloqueio de conta não é sempre ilegal. Às vezes é. Às vezes não é. E a diferença mora em detalhe técnico — não em inventar tese e jogar qualquer justificativa na frente do juiz.


O trabalho que ninguém vê


Como eram várias execuções fiscais sobre o mesmo tributo — uma taxa municipal de fiscalização —, a primeira decisão estratégica foi: qual processo atacar primeiro?


Peguei o mais avançado. O mais urgente. E fui estudar.


E aqui vai uma pergunta que várias pessoas já me fizeram: "Beatriz, mas o que exatamente você vai procurar?" Gente, uma infinidade de coisas. Prescrição é só a ponta do iceberg. Tem falha na formalidade da cobrança, tem a própria razão de ser dela, tem detalhe que só aparece quando você lê o processo inteiro, não o resumo.


Prescrição: a queridinha


Confesso: quando encontro prescrição, eu comemoro junto com o cliente. É simples, é objetivo — passou o prazo, acabou a dívida.


Mas um spoiler: está cada vez mais difícil encontrar isso. As Prefeituras andaram investindo em tecnologia de monitoramento, e o que antes escapava pela fresta, hoje é bem mais raro. Ainda encontro em alguns casos — mas não é mais a regra.


Então, se não era prescrição... o que era?


O resultado


Encontrei uma possibilidade de redução parcial da dívida. Não total — parcial. Mas com margem real para discussão perante o Município.


E aqui está o ponto que eu quero que você entenda: essa defesa, por si só, já trava o avanço do pedido de bloqueio.


No melhor cenário, o valor total ainda diminui. No cenário mais conservador, mesmo que o juiz não aceite integralmente os argumentos, o cliente ganha algo que não tem preço nessas horas: tempo para se planejar financeiramente, sem colocar em risco o pagamento dos funcionários.

Por que estou contando isso


Porque existe uma ideia equivocada de que "advogado bom" é o que fala rápido e dá o diagnóstico em segundos, prometendo milagre desde o primeiro contato. Não é. Às vezes a saída não é óbvia de primeira. Tem coisas que realmente podemos logo de início identificar, mas outras saídas precisam ser estudadas, para dar respaldo ao cliente e não fazer ele embarcar em uma "aventura jurídica" em que ele sai mais prejudicado do que chegou no escritório.


E se isso puder acontecer com você?


Se você ou o seu negócio teve conta bloqueada (ou você tem medo que em breve seja) por causa de uma dívida e não sabe se aquele valor específico podia ou não ser penhorado, vale a pena verificar antes de simplesmente aceitar o bloqueio como definitivo.


Nem toda penhora é indevida. Mas quando é, o prazo para reagir costuma ser curto — e quanto antes a análise for feita, maior a chance de reverter a tempo. Procure um profissional de sua confiança.


Abraço e um café,


Beatriz Biancato

Advogada Tributarista e Idealizadora do Tributário Sem Mistério


Gostou desse texto? Me dê seu feedback, vou gostar de ouvir, clica aqui.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page